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| Parashá Miketz - Comentários | ||||||
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A história que fundamenta o povo judeu é a história da saída do Egito, do caminho da escravidão para a liberdade. Esta jornada é a história da consciência evoluíndo da estreiteza e separação para a percepção de sua identidade no Um. Se o livro do Êxodo segue esta caminhada de libertação, então o livro do Gênesis é a história de como chegamos a este estado de escravidão. E a parashá Miketz tem a chave deste aprisionamento. Na linguagem da alma, escravidão é o processo da completa identificação do ego com o mundo material. Quando a alma perde a conexão consciente com o infinito, então isso é estar "no Egito" (na restrição). Miketz nos lembra de como chegamos até lá, de como ficamos presos, de como nos perdemos na ilusão de uma realidade limitada. Iossef usou seu dom - dado por Deus - para interpretar o sonho do Faraó, da mesma forma que interpretou o sonho do copeiro, do padeiro e seus próprio sonhos; entretanto desta vez, além do futuro profetizado, ele busca uma solução que preservará o Egito. Observamos a evolução da personalidade de Iossef - não apenas interpretando, mas propondo soluções. No caso do sonho do padeiro, Iossef interpretou como fato consumado que este seria enforcado. Se Iossef tivesse interpretado o sonho do Faraó como fez com o sonho do padeiro, o futuro do Egito teria sido funesto. Ele conseguiu enxergar além do futuro "decretado" e emergiu como um líder capaz de administrar a situação de emergência iminente. Não restam dúvidas do porque o Faraó escolheu Iossef para dirigir os esforços para salvar o Egito. A lembrança de seus sonhos de criança desperta seu intelecto imaturo. O Iossef que viu além da interpretação e que propõe a solução para a fome que se aproxima do Egito, se dissolve num instante na presença dos irmãos. Como líder, Iossef desenvolveu um plano que salvou o Egito. Como líder, preocupou-se com o bem-estar da nação. Entretanto, a forte estrutura de sua personalidade não conseguiu lidar com suas próprias emoções - sua liderança desmoronou quando foi posta a prova. As emoções que brotaram da interação de Iossef com seus irmãos eclipsou a sua habilidade de liderar moralmente. Ele não viu além da simples interpretação de seus sonhos, como fez com o Faraó. Ele não explicou um destino além do sonho. Ao invés disso, Iossef age com uma rude indiferença em sua devastadora necessidade de concretizar seu próprio sonho. É a obsessão por sua vaidade pessoal que o impede de aplicar sua sabedoria a esta nova situação em sua vida. Iossef é um intérprete de sonhos. Na parashá anterior, Vaieshev, ele interpreta seu próprio sonho e nesta parashá ele interpreta os sonhos do Faraó. Os irmãos de Iossef passaram a odiá-lo, quando ele sugere sua supremacia quando sonhava aos dezessete anos. Neste cenário do reencontro, sua interpretação leva-o a um desastre em potencial; porém, a interpretação dada ao sonho do Faraó, dá glória e poder a Iossef. A Rabina Shefa Gold expressa de forma poética, o que podemos aprender com Iossef: Através de Iossef lutamos com o poder e aos poucos fazemos as pazes com nosso passado. Através de Iossef, lutamos com nosso passado e aos poucos fazemos as pazes com o poder. No coração de Iossef, as duas faces do legado de seu pai são reveladas. O lado de Iaakov, o planejador, mas que joga o jogo do empate, e o lado de Israel, aquele que luta com Deus, que chora quando reencontra seus irmãos e tem o vislumbre de um amor que transcende à sua mágoa do passado. Observamos que Chanuká sempre coincide com as parashiot que descrevem os episódios de Iossef. Uma vez que nada é coincidência na vida da Torá nos perguntamos a razão disto acontecer. Qual o fundamento oculto que conecta Iossef com Chanuká? A tradição é bem clara quanto às sutilezas destas conexões. Eventos datados de épocas distintas, nos quais atuam pessoas também diferentes, apresentam convergências através do significado dos símbolos. Um tema central no relato da vida de Iossef é o sonho, um sonho que vislumbra uma solução de futuro. Já em Chanuká, o sonho que conhecemos são os suvganiot, deliciosos doces fritos em óleo como alusão à celebração do milagre do azeite que durou oito dias. Cabe aqui uma primeira conexão com o "sonho" dos Macabeus, que lutam pelo improvável, ou mesmo, pelo impossível (a considerar o tamanho de seu exército), não aceitando a realidade de um "futuro decretado", perseverando e vencendo, comprovando que toda atitude nasce de uma idéia, que por sua vez nasce de um sonho. Também se manifesta na história de Iossef a contínua parceria dele com Deus, em todos os momentos, independentemente do poder que tenha atingido ou das condições culturais e religiosas do Egito. Ele se mantém conectado com sua origem, sua história e permite que o sagrado se manifeste através da interpretação dos sonhos, estes sendo sempre planos de Deus. Esta parceria com Deus revela em Iossef uma constante "chama interna", uma LUZ que não se apaga, nem nos momentos de decepção e medo e nem nos momentos de glória e esplendor do poder. Seria este um valor oculto da manutenção da LUZ em cada ser humano? Estaria esta LUZ contida na proximidade com Deus e numa aceitação intrínseca dos planos que Ele tem para cada um de nós? Nesta parceria, podemos seguir o fluxo sem recorrer a excessos de orgulho ou auto-piedade nos eventos que acontecem em nossas vidas. Seguir o fluxo da vida em harmonia seria, numa linguagem mais atual,
a postura de Iossef e a forma como ele se relaciona com o Criador. Shabat Shalom! Chodesh Mevorach! Chanuká Sameach!
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