|
|
|
|
||||
| Parashá PINCHAS | ||||||
|
O final deste Shabat marca o início das 3 semanas que precedem
Tisha Be Av, tempo no qual podemos refletir sobre as adversidades em nossa
vida e no mundo, aceitá-las e lamentá-las. Parashat PINCHAS traz em si uma energia de cura. O povo emergindo do deserto e aproximando-se da Terra Prometida enfrenta, como temos visto nas parashiot anteriores, diferentes situações às quais reagem de maneiras inéditas. Desta vez o Povo se deixa corromper pelos moabitas, com suas mulheres e seus deuses. A dissolução de costumes, a idolatria, representam a quebra da moral judaica recém instaurada na legislação mosaica. Manifesta-se a ira do Eterno através de Moshe que decreta com os seus Juízes a pena de morte para todos os trangressores. E eis que surge Pinchas e atravessa com sua espada um dos corruptos e a mulher que o acompanhava. Este ato deteve a mortandade dos filhos de Israel pela praga. Este ato se conecta, objetivamente com a eliminação da praga. Esse ato de justiça, de própria iniciativa, justiça pelas próprias mãos, rompe com o princípio de que a responsabilidade punitiva cabe aos órgãos do Estado e não ao indivíduo. Mas, ao mesmo tempo instaura uma nova doutrina social: a de que a salvação do povo é a suprema lei. O texto relata que a cura da praga vem como consequência do ato extremista de Pinchas, uma vez que é concedida a ele a Aliança de Paz e também uma Aliança de Sacerdócio perpétuo. Pinchas - Filho de Elazar , neto de Aaron e sobrinho-neto de Moshe, simboliza uma nova concepção de paz na filosofia judaica. Esta Aliança, recompensa de Pinchas, tornou-se o modelo para todos os sacerdotes que o suscederam. Sacerdotes precisam ousar e publicamente desafiar a liderança política, quando necessário. A associação das sefirot relativas a esta parashá - Guevurá de Iessod - indica uma invasão radical na Nova Ordem, a capacidade de contração num movimento de conexão - confirmando a presença de uma energia que interfere no status quo, na forma como são tomadas as decisões até então. Podemos perceber uma Força emergindo da necessidade de uma nova estrutura. Outros acontecimentos nos levam a perceber importantes mudanças na ordem: O relato onde as filhas de Tzelofchad pedem por seus direitos de herança. Tataranetas de Menashe, argumentam que seu pai morreu no deserto e que não teve filhos homens. E questionam por que seria tirado o nome de seu pai do meio de sua família por não ter tido filhos homens. Moshe indaga a Deus que indica que seja dada a herança de Tzelofchad à suas filhas e que se diga ao povo que assim será "quando um homem morrer e não tiver filhos homens: fareis passar sua herança para suas filhas." Ainda nesta parashá, Moshe sobe ao Monte Avarim, avista a Terra Prometida e é avisado por Deus que morrerá antes de lá entrar (será reunido ao seu povo, assim como Aaron) pelo que fez no deserto de Tzin, ao se rebelar contra a santificação das águas. Moshe pede a Deus então por um líder que leve a congregação e Ieoshua bin Nun é nomeado como sendo o homem que tem o espírito de sabedoria para liderar o povo. Estes três episódios mostram que surge uma nova geração de líderes para substituir a antiga geração. Também apontam para as ricas fontes de interpretação do texto bíblico, nos aspectos percebidos além do texto: Pinchas inaugura um novo paradigma de justiça, o qual parece ser violento, mas traz a Aliança da Paz, o que nos faz repensar o episódio além da aparente violência e da importância da força na instauração do equilíbrio. Indica a necessidade de estruturar o novo paradigma, para que se possa mudar, preservando a essência. As filhas de Tzelofchad também apontam para o questionamento da presença feminina numa legislação eminentemente patriarcal e masculina. A garantia de herança às mulheres é, sem dúvida, rico e vasto material para a mudança de paradigma contemporâneo quanto à participação feminina na prática religiosa judaica e para a qual precisamos manter um olhar zeloso e, se necessário radical, para preservar a essência. Mesmo que o texto indique a herança como posse posterior dos bens do pai, é simples perceber uma autorização relativa ao recebimento de herança cultural, moral, de costumes e de práticas. A benção da nomeação de Ieoshua, representando o novo líder de toda uma geração que cresceu longe da escravidão. A benção da nova liderança é simbolizada em nós como as partes que reconhecemos como livres e que, portanto, se sujeitarão a novas regras e conceitos. Moshe foi o líder para a passagem, para a caminhada de transição de uma mentalidade escrava para os fundamentos de uma mentalidade livre. Moshe não se torna obsoleto, não é descartado; assim como nossos conceitos defasados, ele cumpre integralmente sua missão de liderar o povo no deserto. Ieoshua recebe uma nova missão, a missão que recebem nossos conceitos recém acolhidos, a de de nos liderar numa nova consciência. Voltamos à energia de cura contida na parashá e agora
podemos observar o potencial da Cura pela renovação - renovação
de lideranças, renovação de conceitos que permitem
nossa renovação a nível celular. Shabat Shalom!
|