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| Parashá SHEMOT - Comentários | ||||||
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Na parashá que lemos esta semana um grande clã se transforma
em tribos. Após a morte de Iossef e de toda a sua geração,
o Povo de Israel se torna numeroso e poderoso. Um novo Rei assume o Poder
no Egito, e ele "não conheceu Iossef". O crescimento
gradativo do Povo ameaça a situação, dando origem
a algumas tentativas de piorar sua condição de vida, sendo
escravizados e culminando no decreto do Faraó de exterminar os
bebês meninos, que deveriam ser jogados no rio, enquanto que as
meninas deveriam sobreviver. Neste ponto a ajuda das parteiras Shifrá
e Puá é decisiva, na sua recusa em obedecer ao decreto. É neste cenário que nasce Moshe e com grande ajuda de sua
irmã Miriam, navega direto para o palácio do Faraó,
onde é acolhido por sua filha. Moshe é educado na corte, se envolve com questões de justiça
social, favorece os oprimidos e os defende, tendo problemas com a polícia
local. Neste episódio, há vestígios do surgimento
de uma consciência de que ele pertenceria ao Povo de Israel, sugerindo
o emergir de uma identificação a partir de uma atitude claramente
impulsiva. E é pastoreando que encontra um arbusto que queima e não
se consome. Nesta cuidadosa percepção de momento, Moshe
ouve um chamado de Deus. Deus se apresenta, como o Deus de seu próprio
pai, Deus de Avraham, Itzchak e Iaakov. Instruções objetivas
para a libertação do povo são dadas por Deus a Moshe
e então se estabelece uma conversa, na qual este busca compreender
melhor como cumprir sua missão, considerando suas limitações.
Neste ponto é claro que não se trata de uma opção,
e sim de uma obrigação, ordenada por Deus. Moshe segue então em sua jornada, acompanhado de Tzipora e de
seus filhos, retornando ao Egito. E vai em direção à
sua missão consciente de que este seria um grande desafio: foi
avisado por Deus que receberia poderes para realizar feitos mas que, ao
mesmo tempo, Deus iria endureder o coração do Faraó.
Deus envia também Aaron para ajudar Moshe como porta- voz. De início Moshe e Aaron precisavam convencer o povo de sua própria libertação. Numa reunião com os anciãos, Aaron transmite a mensagem de Deus a Moshe, enquanto Moshe realiza feitos à vista do povo. Uma vez que o povo entra em sintonia com a proposta de libertação, chega o momento de ir direto ao Faraó. Isto em contrapartida aumenta a carga de trabalho sobre o povo, o que provoca um questionamento por parte de Moshe. Deus então o tranquiliza, garantindo força para continuar na sua missão. Esta parashá inaugura um novo livro. O livro anterior, Bereshit,
fala da história da Criação do mundo e do registro
Divino nos Humanos, a partir dos relatos de vida de nossos patriarcas
e nossas matriarcas. Tudo isso foi " criado" ao longo do livro
de Bereshit. Quando entramos no livro de Shemot - Exodo, vivemos com mais consciência
a história de nossa libertação. Ela instiga a alma
a um despertar. A rabina Shefa Gold comenta que somente quando conhecemos
e vivenciamos a experiência da jornada da escravidão para
a redenção a cada dia, é que podemos saborear de
verdade a liberdade, através do leite e do mel de nossa herança. Nossa benção, a possibilidade de liberação,
nasce a partir de literais "dores de parto". Moshe nasce num
momento de desespero, onde somos oprimidos e compactados à menor
possibilidade de definição do eu. Aquela semente da verdade
e vitalidade é escondida e colocada numa "teiva", numa
"arca". O que distingue uma arca de uma barco é a ausência
de leme. É um veículo completamente sujeito ao destino,
à vontade de Deus. Assim como a Arca de Noé, a esperança
de um novo mundo é uma nova consciência que emerge. Baal Shem Tov nos lembra que a palavra "teiva" também
significa "mundo". O mundo preenchido pelo potencial é
levado pela correnteza no rio da Vida. É assim que começa nossa jornada na direção
da consciência. Como aconteceu com Moshe, a semente da profecia
se rende em confiança às mãos de Deus, através
da água primordial. Então esta semente é acolhida
pela jornada, abençoada pela experiência, educação,
nutrição e inspiração, enviada a terras distantes,
iniciada em sabedoria e sendo revelada aos segredos do deserto. Neste ponto, nossos olhos se abrem à percepção do
fogo. Num extraordinário momento de benção, Deus
nos chama pelo nome duas vezes (Moshe, Moshe...), avançando do
eu para a verdadeira essência interior que estava latente. E esta
essência responde Somos chamados à presença pela repentina percepção
que o chão sobre o qual nos pomos em pé é sagrado.
Somos comandados a retirar nossos sapatos, para que nada possa estar entre
nós e este solo sagrado. O livro de Shemot começa então nomeando os Filhos de Israel.
De acordo com o pensamento Chassídico, um nome é o que conecta
corpo e alma, juntos. E é justamente esta a pergunta de Moshe a Deus: Qual o seu nome?
E a surpreendente resposta: " EIHÉ ASHER EIHÉ - "
Serei o que Serei" -diga a eles, Serei me enviou a vocês." Seria este um Deus anônimo? O rabino Jacobson comenta que Nomear algo é descrever algo. Então
Deus, que é infinito e indescritível, não pode ser
nomeado. De fato, Deus não tem nome, somente nomes - descrições
de vários padrões de comportamento que podem se relacionar
à Sua influência em nossas vidas. Cada um dos "nomes" divinos descreve algum atributo através
do qual Deus escolheu para se relacionar com Sua criação.
ELOHIM descreve o atributo Divino da Justiça, IHVH descreve a concepção
da Compaixão. EIHÉ - Serei, o nome pelo qual Ele se apresenta
a Moshe, tem uma conotação de Ser e Existir. Esta seria a matéria prima do processo de Libertação: SER! A consciência de que SOMOS!! Shabat Shalom!!! fontes de inspiração: Regina Szterenfeld |